REA|terça-feira, dezembro 11, 2018

Tel Amiel 

entrevistadotel_amiel-140x140Tel Amiel é pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) na UNICAMP. Coordena a comunidade Educação Aberta. É co-coordenador de projetos de intercâmbio bi-nacionais focados em tecnologia, educação e cultura (CAPES/FIPSE) e colaborador da Catedra UNESCO de Multilinguismo e Produção de Conteúdo no Mundo Digital (UNICAMP). Tem como foco de pesquisa a fluência tecnológica (FAPESP) e sua relação com o ciclo de produção de recursos educacionais abertos (REA) e a educação aberta (EA).

Entrevista dada por email para Débora Sebriam no dia 17/11/2011.

Conte pra gente porque você começou a trabalhar com REA?

Comecei a trabalhar com REA por conta de projetos de cooperação Brasil-EUA (CAPES-FIPSE) com um primeiro projeto em 2002 (www.coe.uga.edu/brazil) e uma nova rodada de financiamento em 2008. O interesse do grupo é o tripé educação/tecnologia/cultura. Na segunda fase do projeto focamos na questão dos recursos didáticos, particularmente como pensar a troca de recursos didáticos através de grupos culturais (ou de afinidade). Temos um grupo interdisciplinar, pensando nessas questões, e recentemente publicamos os anais do primeiro evento que realizamos nos EUA.

Qual o foco, objetivos e linhas de pesquisa do grupo de estudos que você coordena na UNICAMP?

O Educação Aberta não é institucional, mas reúne atividades e pessoas através de projetos já existentes quando há interesse comum – REA é um desses pontos de foco. As nossas atividades são relacionadas à produção, troca, e acesso ao conhecimento, com um grande enfoque em questões culturais, um conceito que tenho expandido para ‘fronteiras entre grupos de afinidade’. Em outras palavras, formações de pessoas (grupos) que se unem para realizar atividades concretas. Desse modo, podemos trabalhar junto com outros colegas que pensam questões de multiliguismo, intercâmbio através de bibliotecas digitais, produção cultural, produção de recursos didáticos, entre outros.

Como surgiu a idéia do Caderno REA para professores?

De maneira objetiva: quando primeiro fiz contato com a lista da comunidade REA percebi que era uma lacuna que precisava ser preenchida. O assunto aparecia na lista, a iniciativa começou a tomar forma por iniciativa de alguns participantes, mas não tomou corpo. Resolvi buscar algum apoio para tirar o projeto do chão. Mais conceitualmente, o caderno tem como objetivo preencher uma lacuna – a falta de material sobre REA em português. Temos, no máximo, traduções de outros textos. Resolvemos criar algo que pudesse efetivamente ser objeto de estudo e reuso nos contextos de nossas atividades. Como exemplo desse problema – quando fiz a divulgação do recurso na comunidade REA da UNESCO (WSIS), a resposta que recebi de um dos participantes é que o recurso seria mais útil se estivesse disponível em inglês. Um objetivo tangente no desenvolvimento do Caderno era investigar o processo de remix, algo elementar e complexo dentro de REA. Começamos a explicar como vemos esse processo aqui.

Qual o objetivo do Caderno REA?

O caderno foi criado para que pudesse servir de catalisador para atividades. Em 2012 começaremos algumas oficinas em escolas, como parte de um projeto de longo prazo para investigar como fomentar práticas abertas (open practices) no âmbito da escola. Como tentamos dizer claramente no caderno, REA é um movimento catalisador – incorpora ideias e conceitos já bem conhecidos do professor – porém o faz através de um projeto concreto (recursos didáticos). Partindo de REA, podemos abordar uma série de conceitos que consideramos importantes para melhorias na escola. O caderno serve para iniciar esse diálogo – consideramos que ele incorpora os conceitos básicos do movimento para começar o papo com professores, gestores e alunos. Serve também como ponto de partida para discutir temas importantes como a produção e disseminação do livro didático no Brasil, o direito autoral, pirataria, plágio, entre outros.

Como você acha que o Caderno REA vai impactar a adoção e produção dos Recursos Educacionais Abertos pelos professores de escolas de Educação Básica?

Creio que o Caderno pode incrementar a discussão sobre REA no ensino básico. No Brasil temos algumas ótimas iniciativas REA com enfoque no Básico, mas o ensino superior ainda impera. Esperamos que pessoas (e especialmente atores escolares) usem o recuso para oferecer oficinas e discutir conceitos relacionados ao tema nas escolas, diretorias, e outras instâncias. Não acho que o Caderno em si vá levar diretamente à adoção de práticas ou recursos abertos na escola – é um instrumento que pode ser usado para começar a discussão.

Qual estratégia de divulgação será utilizada para que escolas de Educação Básica do país conheçam o caderno REA para professores?

Começamos a divulgação do material no nosso seminário, na a versão impressa que por questões de custo, teve distribuição limitada. Disponibilizamos a versão para impressão em PDF no site, bem como uma versão via wiki para que possa ser utilizada, editada e modificada. Sabemos que o recurso necessariamente será adaptado para os contextos e atividades diversos que serão propostos.

Estão previstas eventuais oficinas presenciais em escolas que desejam se aprofundar na temática REA?

Temos algumas escolas parceiras na região de Campinas e vamos oferecer oficinas regionais em 2012. Temos sempre a perspectiva de médio e longo prazo, através de um processo colaborativo com professores e gestores. A nossa meta não é somente investigar REA na escola, mas entender como sustentar práticas abertas no cotidiano e na prática dos professores, alunos e gestores. Também estamos estudando a possibilidade de ofertar cursos ou oficinas online com parceiros dentro e fora da academia e com o apoio da Comunidade REA-Brasil.

O que diria para educadores que desejam começar a trabalhar por e com REA?

O Caderno é um bom primeiro passo! É importante entender as bases do movimento para que REA não se transforme em mais um curso de capacitação para uso de ‘tecnologias’ em sala de aula – longe disso. Acho que o caderno aponta uma série de iniciativas (algumas pequenas e outras maiores) que podem começar um trabalho sobre REA na escola. Partindo desses pequenos desafios, os professores podem começar a investigar o ‘como’ e ‘porque’ de REA no seu contexto de trabalho.

 

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